domingo, 29 de junho de 2008

Poesia debaixo da música

Poesia debaixo da música.
Que música?
A música em cima da poesia.
Que poesia?
A poesia da aliteração da alma.
Os metros das ondas cerebrais espumantes.
Neurônios e mares volumosos.

...

Neurônios e mares volumosos.
Gastei muita grana.
Talvez eu morra.
Nasci, faz tempo, em vários poemas.
Em três versos, acabo o segundo quadro.
Deste poema, escrito sob a música.
Poesia debaixo da música.

...

Poesia debaixo da música.
Blocos de cartas do inferno.
Escaldantes rios congelados.
Retrato do chifrudo no ar.
Cujo eleito pelas trevas
Bebe o sangue de teu filho.
Neurônios e mares volumosos.

...

A poesia da aliteração da alma.
A alma da aliteração da poesia.
A aliteração da alma da poesia.
A poesia da alma da aliteração.
A alma da poesia da aliteração.
Os metros das ondas cerebrais espumantes.

...

Os metros das ondas cerebrais espumantes.
Era criança, há muitos poemas.
Batia punheta para Nossa Senhora de Lourdes,
Com vontade de ter profano tesão.
Sentia estaca de jequitibá no estômago.
A aliteração de meu coração.
A poesia da aliteração da alma.

...

Gastei muita grana.
Quebrei tudo, a melhor diversão.
Miserável como Marx.
Miserável como Jesus.
O feitiço do Cello.
A memória da antiguidade dos pelos.
Blocos de cartas do inferno.

...

Blocos de cartas do inferno.
A língua na antiguidade dos pelos.
Fogo no jequitibá dos violinos.
Alguém está entendendo a porra deste poema?
“Hoje não é hoje” – há, há!
Você nunca lerá o poema desse verso.
Gastei muita grana.

...

Gastei muita grana.
E este é o último quadro.
Desse estranho poema.
Do poeta que quer voltar à atividade.
Debaixo da música.
Só Hoje Último Beijo Está Riscado Também.
Blocos de cartas do inferno

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