segunda-feira, 7 de julho de 2008

RESIGNAÇÃO PÓSMODERNA


Falar?
Todas as palavras fizeram-se inúteis
Os ouvidos mocos e torpes
Os atos perderam o sentido
Descreram-se da fé
Ousaram o proibido
E pisotearam o próprio pé

Tudo há por ser feito
E as areias sempre correndo inalteráveis/imperdoáveis
Sob o ritmo solene do tempo
Os ideais são breves
Os amores, fast-food
A política, uma moeda com as duas faces voltadas ao imperador
A polícia e suas estatísticas onde impera a dor
A poesia e sua pose artística, voltada ao meta-louvor

Os homens continuam homens
As mulheres continuam mulheres
Mesmo que acreditem-se Mais
Mesmo que saibam-se Menos

Os poucos que ainda sonham
Permanecerão acordados
E correrão o braço ao lado do leito
E o descobrirão vazio
E chorarão sozinhos
Uma tristeza sem lágrimas
Que mata devagarinho

FranklinM.

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