quarta-feira, 27 de agosto de 2008

BEIJO ELIETE
A cruz da Playboy

De tempos e tempos, o consumidor é atingido por, diga-se de passagem, estratégias manjadas que pretendem criar polêmica diante um produto. A mais velha de todas, é recorrer a utilização de algum elemento sagrado ao que se pretende vender. Comemorando 33 anos de Brasil, a Playboy de agosto, trás a atriz Carol Castro seminua, trajando além de lingerie, um crucifixo. Imediatamente o padre Juarez de Castro, Secretário de Comunicação da Arquidiocese de São Paulo, pronunciou-se contrário a atitude. A atriz tentou se explicar. Pediu desculpas, mas que não adiantaram para minimizar o rebuliço criado na net. Guardadas as proporções, nada se compara ao que aconteceu no inicio dos anos 80. A aspirante a pop star, Madonna apareceu em 83, na capa do seu primeiro disco o The First Album, exibindo um crucifixo como pingente de brinco. Um ano depois, durante a turnê do Like a Virgem, combinava espartilho e crucifixo no peito. Em 89 lançou a clip da música Like a Prayer com cenas de cruzes queimando, em alusão de protesto contra a KKK. Na década de 90 passou a cantora por seitas da moda, mas não abandonou a habito de expor a cruz. Mesmo desaprovado pela igreja, e alvo de protesto na internet, Madonna em 96 preparou um "crucifixo para discoteca", utilizado como peça do cenário em sua turnê norte americana. Outros elementos nem tão sagrados, mas que deveriam ser poupados da vinculação com o erótico e pornográfico, freqüentemente fazem parte dos ensaios da revista Playboy. Antes mesmo do Papai Noel e Carla Peres posarem juntos na capa da revista, em maio de 2003, Sabrina Sato aparece vestida apenas por um par de sapatilhas de balé. A foto foi exibida em diversos outdoors na cidade de São Paulo. Nenhuma autoridade da dança se pronuncia a respeito. Passou. De acessórios de trabalho, passando pela literatura, até temas infantis e elementos sagrados, parece que os produtores da revista, não avaliam o conteúdo simbólico e o resultado da mistura que produzem entre, elementos de valor cultural aliado a figura do corpo feminino nu. Em nome da liberdade de expressão, nada os impede, nenhuma lei existe para que os faça diminuir com os excessos nos ensaio fotográficos. Para o público em geral, quando algo desse tipo acontece e reabre alguma polêmica, nos resta a reflexão sobre os nossos valores culturais.

Eliete Santos - jornalista e profissional da dança em São José dos Campos

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