domingo, 17 de agosto de 2008

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08/12/2005

Clubeonline: Como foi ganhar o Prêmio Bombril na 29ª Mostra BR de Cinema?

Marcelo Galvão: Não esperava ganhar isso. O meu filme, chamado "Quarta B", foi o último que o Leon Cakoff (diretor da Mostra) assistiu em sua seleção e acabou ganhando a única premiação em dinheiro do festival, no valor de R$ 25 mil. Quando fui anunciado como o vencedor, eu estava tão desencanado que estava mascando chiclete. Foi engraçado, pois não sabia o que fazer. Recebi o troféu da Tomie Ohtake e foi ela mesma quem desenhou a peça. O "Quarta B" é um filme experimental muito bem sucedido.

Clubeonline: Um filme experimental?

MG: Isso. Foi um trabalho que eu fiz para ter no portfólio, pois queria muito dirigir um longa. É uma maneira que eu utilizo sempre para começar a atuar em segmentos diferentes. Por exemplo, eu trabalhava como redator na JWT e estava cansado e procurando algo diferente. Decidi dar um tempo e estudar cinema na New York Film Academy. Lá, fiz uns frilas para a BBDO e dei aulas de Jiu-Jitsu. Consegui comprar uma Mini-DV e comecei a fazer uns comerciais fantasmas para ter um rolo e voltar ao Brasil para trabalhar como diretor de filmes publicitários. É a mesma coisa que os estudantes que fazem um portfólio quando querem começar a trabalhar como redator ou diretor de arte. Isso foi em 1999.

Clubeonline: Como foi a volta ao Brasil?

MG: Trabalhei em diversas produtoras, como a Espiral, a TV Zero e O2 Filmes e hoje estou na Republika Filmes. Nesse período eu tinha o roteiro de um longa-metragem, chamado "Fábula", que faz uma viagem utilizando os argumentos de diversas fábulas famosas. Mas não consegui nada com esse roteiro. Aí achei que precisava de algo mais consistente, para que as pessoas conhecessem e apostassem no meu trabalho e decidi dirigir um longa. O "Quarta B" surgiu disso.

Clubeonline: Foi um filme de custo baixo? Como rolou a produção?

MG: Não houve financiamento. Fiz com meus próprios recursos e boas idéias para diminuir os gastos. Foi bastante difícil e trabalhoso. Foram três meses só de testes, com mais de 70 pessoas. Fiquei sem meu produtor, que deixou o projeto; sem fotógrafo, que aprontou 80% da luz e deixou tudo bem afinado;
e sem técnico de som, que teve malária. Fora a polícia que invadiu o set e deu geral em todo mundo.

Clubeonline: Caracas! Como assim?

MG: O filme trata de maconha. E começou a correr na vizinhança do galpão onde foi rodado que aquele era um filme onde rolava maconha e tudo mais. Um belo dia a polícia invade o lugar e coloca todo mundo de frente para a parede. Revistou um por um dos atores, incluindo os casal de idosos que participa do filme. O legal é que essas imagens foram captadas pela câmera.

Clubeonline: Qual a história do filme?

MG: O filme se passa numa sala só, com 18 personagens. É uma reunião de pais de alunos da quarta série. O problema é que o faxineiro acha um tijolo de maconha na sala. A partir disso, a dúvida é qual aluno é dono da droga. As pessoas se acusam, com muito preconceito, como no caso de um dos pais que acusa outro apenas por ele ser surfista. O acusado diz então que só porque ele é surfista isso não faz dele e de seu filho maconheiros. Até o momento em que um dos participantes que estava quieto a maior parte do tempo decide propor uma votação para decidir se eles fumam a maconha para saber o que se passa na cabeça de que usa a droga.

Clubeonline: O filme também foi vencedor no voto popular. Quantas vezes foi exibido na Mostra?

MG: Foram quatro exibições, em horários não muito bons, como 14h de uma terça-feira. Mas alguns fatores chamaram a atenção para o filme e fizeram com que mais gente se interessasse em assisti-lo.

Clubeonline: Fatores como...

MG: A própria história e como ele foi feito, mas a grande força veio do Fernando Meirelles, que é um cara que eu admiro muito por tudo o que fez filmando e dirigindo. Ele assistiu ao "Quarta B" e adorou. No dia seguinte, ele apresentou uma palestra e elogiou muito o meu filme. As pessoas então ficaram curiosas por causa do comentário dele. Para mim, esse já tinha sido o meu maior prêmio.

Clubeonline: Quais as principais diferenças de se filmar em digital e na película?

MG: Em cinco anos vai acabar a película. Eu acredito nisso. Em alguns casos, o sistema digital ainda não reproduz certas cores perfeitamente. Mas como o "Quarta B" foi feito com apenas uma iluminação e um cenário, ficou tudo correto.

Clubeonline: Qual a sua avaliação dos trabalhos em publicidade, hoje em dia?

MG: Acho muito artificial como os atores representam em filmes publicitários. A Argentina, por exemplo, está muito melhor que a gente nesse aspecto. Isso não significa que os atores sejam melhores lá, mas os diretores são. Não é que o tempo aqui seja curto para trabalhar os atores. O fato é que um ator tem que me fazer acreditar naquilo que ele está encenando. Isso é o principal.

Clubeonline: E o que você tem feito para melhorar isso?

MG: Eu estudei por um mês direção de atores em Cuba com a Marketa Kimbrill. Meu rolo e o próprio "Quarta B", creio eu, mostram isso.

Comentários

Assisti o filme. Simplesmente uma LIÇÃO de vida! Sou homossexual assumido. Meus pais me tratavam que nem cachorro.. quando eu estava assistindo o filme aqui, eles ouviram.. ouviram... e na hora que fala do menino e até mesmo quando o diretor se assume, dá uma lição de vida pra pessoas de cabeça pequena.. de mente fechada... Gostaria de PARABENIZAR o Marcelo. Marcelo...o filme foi experimental como você disse.. mas pra mim, VOCÊ É UM DOS MELHORES !!! ABRAÇÃO

cesar netto - marcelo..parabens pelo filme... e tb concordo em relação aos atores brasileiros que fazem publicidade...venho tb tentando imprimir algo mais naturalista e que passe mais verdade ao cara que ta vendo em casa... acho que temos um caminho longo pela frente...pois os roteiros nem sempre ajudam e eu particularmente sinto falta de mais atores bons dispostos a fazer filmes publicitarios...fico cobrando da galera do casting uma pesquisa maior com caras que vem ate de teatro e nao viciados em atuar para publicidade... valeu cara .. boa sorte na carreira e sucesso.. cesar netto - diretor de filmes cesarnetto@gmail.com


http://www.ccsp.com.br/entrevista/?id=19132

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