quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Nas asas Liberais da Embraer

Franklin Maciel

Eram 4.270 homens e mulherespara quem o carnaval éQuarta-feira de lágrimas4.270 cidadãoscujos sonhos iam nas asas do aviãoe agora o olhar perdidoé trem de pouso sem chãoEram um em cada cincoComo os dedos de uma mãoMãos compostas de dedos poucos solidáriosQue preferem seguir a marcha, sempre em frenteSecos com um socoAos apelos dos amputadosMãos que tinham cinco dedosAgora tem quatroE que logo serão trêsPois são mãos sempre à obraMãos que não paramMãos sempre à disposiçãoDos caprichos e interesses do patrãoMãos medrosas e indiferentesque se enfeitam de anéisMas esquecem dos dedosPartes mais frágeis e descartáveisIndispensáveis ao trabalhoSem os quais a mão não é mãoÉ tocoMas os dedos não se enxergamNão se cruzam, não se unem, não se entrelaçamNão dizem Não!E por isso a mão continua a tratá-los como dispensáveisMesmo que ainda seja o dedo quem aperta o botãoe faz tudo parar de repenteOs dedos infelizmente só sabem seguir em frenteComo bois que engordam no pastoSem dar conta de que seu destino é o mesmo corredor de matadourode tantos outros que foram antesUm corredor sem voltaLá ouvem os gritos, tremem,Mas basta um pequeno estímuloE lá estão eles, seguindo em frente ante a morte certaGordos e acomodados demais para voltar atrás.Quando descobriu a luz, a criativa meninaJuntos suas palmas abertasE deu asas a uma linda pombaUma pomba onde voavam longe seus pensamentos de meninaMas a menina cresceu e a lida do trabalhoQue mais danifica que dignificaFoi devorando um a um seus lindos dedosA pomba, assim como seus pensamentosAgora não voaAgora é PedraDura, estática e sempre à esperaQue um dia outra criança à confunda com esferaE com seu estilingue a lance pelos aresPra mais uma vez voarSem se importar que em seu voo trágicoabata um pássaroQue ainda se permitia sonhar

Franklin Maciel

Nenhum comentário: