terça-feira, 7 de abril de 2009

Não precisamos de heróis

Joca Faria (*)


Época estranha essa em que vivemos, de muita e pouca informação. Meio achados, meio perdidos. Ainda prefiro um bom livro à Internet.
Acabo de deletar um montão de e-mails com muita ou nenhuma informação.
Adoro andar de ônibus para ver e ouvir as pessoas falando de suas vidas e das soluções para seus problemas.
Olho diretamente para os estudantes, trabalhadores, lindas mulheres, pessoas inteligentes, não importa. A verdade está nas coisas simples, custou, mas aprendi.
No Mercado Municipal, sinto o aroma das flores, frutas, verduras, hortaliças, misturado ao das pessoas brancas, negras, amarelas. Uma diversidade tão incrível que chego a duvidar de meu nariz.
Que cidade é essa que fala de crise? Ou será apenas um desabafo, como diria Nélio Fernando, o poeta dos surdos e irracionais. Muito melhor do que os que se dizem poetas, preocupados sempre em afagar egos em troca de alguns trocados. Entendo que precisam sobreviver, mas não consigo aceitar que alguém poeta, ou não, se submeta a tal maltrato d´alma.
Todo dia é dia de desabafo, hoje é o de colocar os pingos nos is. Sei que dói, sei que machuca. O amigo é o que faz chorar...
Sem trabalho, sem dignidade, sem cidadania o ser-zumbi vai se tornando conhecido pelas ruas de São José dos Campos, do Avião, dos Automóveis, da Corrupção, das Drogas, dos Piratas, currículo na mão, batendo de porta em porta, cara sofrida, coração cheio de mágoa. É enfrentar a farsa do dia a dia pra depois retornar e alimentar a esperança da mulher e filhos. Mentir é preciso.
Antes se exigia curso colegial, agora é faculdade, inglês e até mandarim. Puta que pariu, pra que tanta coisa só para comprar produtos chineses de má qualidade a preços baixos?
Aí de mim se precisar de alguma assistência médica nos hospitais públicos sucateados com médicos mal encarados e remédios falsificados. Até quando? Até sempre, acho.
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, se deitar o bicho enraba. A mídia atrelada e azeitada faz barulho, garganteia elogios àqueles que se dizem lideranças. Ah, ah, ah... E o cheiro? Não há como disfarçar o maldito cheiro dos encarregados de apodrecer a opinião pública.
Associações, ongs, eleições... Picaretas uni-vos! O Capeta vos espera.
Antes disso, a violência ordena, mostra o caminho. Fortalezas são assaltadas, armas são roubadas. Centenas de rambos colocados nas ruas para que? Policias corrompidos. Quem quer a proteção de um estado farsante atopetado de vendilhões da cosa nostra. E o Lula, marcando presença no G-20, oferecendo dinheiro ao FMI enquanto mais de vinte milhões de brasileiros passam fome. Durma-se com um barulho desses.
A nossa sina é trabalhar a vida inteira para pagar as prestações das casas mal construídas, comprar carros caros e inseguros, bobagens como celulares que tiram fotos, comida envenenada por agrotóxicos. Tomar água da Sabesp com produtos químicos, fármacos e hormônios sexuais. Nada do que ingerimos é saudável.
É preciso citar Leon Tolstoi e imaginar um jeito que de jeito nisso tudo.
Não quero essa arte, essa filosofia, essas religiões, não quero filhos para serem devorados pelos malditos pedófilos dessa sociedade canibal que não se apieda de ninguém. Socorro!
Chega desses exércitos militares e de políticos sem espírito público. Não precisamos de heróis, de salvadores. É preciso recriar. Alguém sabe como? Ou será melhor entregar a alma ao demônio?

(*) Joca Faria - fariajoca@gmail.com.br - artegaia

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