quarta-feira, 26 de agosto de 2009


Henry Jenkins e a Cultura da Convergência
por Raquel Costa em 22 de Junho de 2009 às 2:07 am

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Raquel Costa disse às 2:47 am
Jorge, não consegui publicar o vídeo. Can you help me, please! rs

Jorge Carvalho disse às 9:52 am
Oi Raquei, me mande por e-mail o link do vídeo. Abraço

Raquel Costa disse às 4:04 pm
Biz Stone, co-fundador do Twitter, fez a seguinte definição do serviço em Cannes: "Um experimento que permite a você acompanhar informações, pessoas e notícias que sejam de seu interesse". (Blue Bus) Ou seja, agora é a vez das pessoas decidirem o que, quando e como querem a informação/experiência que precisam/desejam. E as marcas não devem mais se preocupar apenas em alcançar o seu consumidor, mas deixar que ele consiga realizar seus objetivos através de conteúdos gerados e compartilhados por e com elas.
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Keywords:internet, livros, social network, tecnologia
Em entrevista ao Programa Milênio, da GNT, Henry Jenkins, professor e diretor do programa de Estudos de Mídia Comparada do MIT, e autor do livro Cultura da Convergência, explora as grandes mudanças que estão ocorrendo no mundo dos negócios com as multiplicações de conteúdos.
Ele fala sobre a questão da convergência, não pelo lado tecnológico, mas como um processo cultural que estimula a participação dos usuários/consumidores nas decisões que antigamente ficavam restritas aos interesses dos veículos e marcas. No que ele chama de a Cultura do Fã, onde pessoas comuns interagem, modificam e remixam mídias/conteúdos que foram originalmente construídos por produtoras de conteúdo.
Veja abaixo partes da entrevista. Enjoy!
O mundo em que vivemos
Vivemos num mundo onde histórias fluem facilmente através de diversas plataformas midiáticas, num mundo em que fazer mídia é tão importante quanto consumir mídia, num mundo onde as pessoas que conhecemos on-line são tão reais quanto nossos vizinhos.
Esse é o mundo no qual vivemos, no qual muitos jovens estão vivendo. E se ainda não vivem viverão daqui a 5 ou 10 anos. Essa é a onda que está tomando a sociedade.
A convergência
O problema da convergência tecnológica é supor que existe um aparelho mágico agrupando todas as mídias.
Talvez seja um telefone celular ou um conversor de sinal de TV, mas nunca vi tanto equipamento sendo utilizado quanto hoje. Nossas salas estão repletas de cabos e controles remotos.
A convergência como um processo cultural, refere-se ao fluxo de imagens, idéias, histórias, sons, marcas e relacionamentos através do maior número de canais midiáticos possíveis, um fluxo moldado por decisões originadas tanto em reuniões empresariais quanto em quartos de adolescentes, moldado pelo desejo de empresas de mídia de promoverem ao máximo suas marcas e mensagens e pelo desejo dos consumidores de obter a mídia que quiserem, quando, onde e como quiserem, e por meios ilegais se for impossível por meios legais.
Esses dois fatores trabalham em conjunto, garantindo uma ampla circulação de qualquer tipo de mídia que compõe esse fluxo.
Mídias de massa e as mídias sociais
Meios de comunicação de massa ainda exercem um tremendo controle sobre a sociedade. As cinco maiores empresas de mídia dos EUA controlam grande parte da mídia disponível, mas, ao mesmo tempo, vivemos num mundo onde praticamente não há filtros de informação. Algo em torno de 54% dos adolescentes americanos já produziram algum tipo de mídia.
Dois terços dos adolescentes dos EUA já veicularam mídia que produziram além do circulo de amigos e família. Portanto, há duas visões de mundo bem distintas. Uma delas se baseia no consumo constante e na absorção de mensagens criadas pelos grandes centros midiáticos, e outro é baseada na produção pulverizada de mídia, em que as idéias veiculadas no Youtube são consideradas tão essenciais à cultura quanto aquelas veiculadas em redes de televisão.
Construção de Conhecimento
Ainda estamos aprendendo a usar plenamente as ferramentas para construir conhecimento. No momento investimos em jogos. Não nas chamadas “atividades úteis”, mas em atividades de diversão. Estamos desenvolvendo habilidades a serem utilizadas mais tarde de formas mais sérias.
Assim como, numa sociedade de caçadores, as crianças aprendem brincando de arco e flecha, na sociedade da informação elas aprendem jogando com informações.
Portanto, acessar jogos, comunidades virtuais de fãs, criar blogs ou modificar e remixar mídias possibilitam um processo de aprendizado que salienta nossa atividade em rede, ajuda na formação coletiva de conhecimento e na circulação de idéias através da sociedade.
São habilidades que já estão sendo aplicadas em educação, religião, atividades militares, política e governo. Todos estão aprendendo lições importantes ao buscar entretenimento por meio do uso de computadores.Um membro da comunidade tem ao seu dispor o mesmo saber que a comunidade como um todo, imediatamente, a todo instante.
Eis a raiz de uma sociedade em rede. Por exemplo, em grupos de discussões de fãs ou em grupos de discussões políticas, uma pergunta aparece, alguém logo a responde, e todos da comunidade têm acesso à informação. Portanto, em vez de prepararmos crianças em escolas onde ainda incentivamos o aprendizado autônomo, deveríamos ensinar a elas como participar da produção coletiva do conhecimento, como compartilhar conhecimento, como depender da experiência alheia e fazer com que elas percebam o poder que têm por serem autoridades em algum assunto.
Homem Renascentista do século XV e o homem convergente do século XI
A premissa era que um único indivíduo podia dominar todos os campos do conhecimento. Michelangelo, Da Vinci ou Thomas Jefferson, os grandes intelectuais da História, conseguiram dominar todo o saber de uma sociedade.
Hoje em dia, há uma explosão de informações. Não é mais possível saber de tudo. Estamos vivendo em tempos de inteligência coletiva, num mundo onde ninguém sabe tudo. Todos sabem algumas coisas. Um membro da comunidade tem ao seu dispor o mesmo saber que a comunidade como um todo, imediatamente, a todo instante.
Eis a raiz de uma sociedade em rede. Por exemplo, em grupos de discussões de fãs ou em grupos de discussões políticas, uma pergunta aparece, alguém logo a responde, e todos da comunidade têm acesso à informação. Portanto, em vez de prepararmos crianças em escolas onde ainda incentivamos o aprendizado autônomo, deveríamos ensinar a elas como participar da produção coletiva do conhecimento, como compartilhar conhecimento, como depender da experiência alheia e fazer com que elas percebam o poder que têm por serem autoridades em algum assunto.
Excesso de Informação
Sofremos na medida em que não sabemos lidar com ela. Atualmente, muitos se sentem inaptos a lidar com o excesso de informações pela incapacidade de absorvê-las todas a tempo, mas isso ocorre por estarmos tentando aplicar uma lógica do homem renascentista a um modelo de informações desenvolvido para ser coletivo e colaborativo.
Em vez de tentar absorver todo o conhecimento para si, deveríamos aprender a confiar na comunidade à nossa volta, confiar uns nos outros para processar as informações. Em vez de cidadãos bem informados, devemos ser cidadãos monitorados.
Alguém que vasculha o horizonte e filtra informações necessárias, agindo de forma pontual e objetiva, em contraste com a necessidade do entendimento profundo sobre tudo que nos rodeia. Devemos aprender a ser seletivos e colaborativos
Deveríamos aprender a escolher o foco da nossa atenção. Podemos tentar criar um modelo que possibilite uma espécie de moderação coletiva, seja através de um curador ou de um autor de blogs que traga informações essenciais à comunidade.
Talvez um serviço agregador, como o Digg, que identifica a preferência dos usuários e filtra as informações; ou processos deliberados como grupos de discussão. Há várias formas de processar informação. Precisamos aprender como participar plenamente ou seremos soterrados por informações sem sentido.
A Cultura do Fã
A palavra “fã” sempre foi tratada com desconfiança e nervosismo através dos tempos. E uma palavra que, até recentemente, era sempre aplicada ao outro, nunca a si mesmo.
Na verdade, ela remete à palavra “fane”, palavra em latim que se referia ao templo de Vesta. Os “fãs” originais eram virgens vestais que praticavam venerações orgiásticas.
Posteriormente, isso foi traduzido como “fanatismo”.
No século 20, o fã era a pessoa que consumia, mas não produzia. Essa foi a concepção. Antes, fãs assistiam a esportes sem jogar, iam ao teatro sem atuar.
Mas, hoje, os fãs estão produzindo ativamente. Eles estão contando histórias e divulgando-as on-line, no Japão, fazem seus figurinos e encenam peças na rua; estão editando podcasts; eles se envolvem em discussões críticas na internet; eles estão reinventando os jogos de computador. É o segmento mais criativo da sociedade. Eles já aprenderam a viver dentro dessa sociedade da informação em rede. Eles são o coração da cultura da convergência.
Remix
Em princípio, precisamos reconhecer que, na história humana, a cultura advém da cultura. Às vezes, seguimos uma lógica “alquímica” de que a cultura provém da cabeça do artista, que ela é criada do nada.
Mas, na verdade, Homero remixou as histórias da mitologia grega, a Capela Sistina é uma colagem de temas bíblicos e as grandes obras literárias conscientemente “pegaram emprestados” os recursos de que precisavam.
Precisamos partir da premissa de que, em todo processo criativo, o artista constrói sobre a cultura existente. Mas para isso precisamos respeitar a cultura. Precisamos conhecer e identificar as fontes do material que usou. Para mim, a diferença entre remixagem e plágio é que o plágio oculta suas fontes enquanto a remixagem as celebra e as expõe.
A remixagem procura construir um diálogo com o passado em vez de reivindicar para si a autoria das obras. É um processo de colaboração com a cultura que nos cerca. Um dos problemas de hoje e que as leis de direitos autorais inibem a cultura, restringindo o uso das obras aos seus proprietários.
Nessa transição pela qual passamos, o uso justo precisa ser defendido. Cada vez mais pessoas se tornando artistas, elas exigem a velha idéia de direito autoral ao utilizar materiais da sua cultura, causando uma disputa sobre quais são os termos que distinguem direito autoral do uso justo.
Jovens e empresas estão confusos sobre os limites dos dois conceitos numa épocaem que cada vez mais pessoas produzem mídia.
Creative Commons
É um movimento forte, e espero que prospere. O Creative Commons permite que os artistas determinem quais direitos querem manter e quais querem liberar. É baseado num modelo de economia moral em que concordamos nos guiar por princípios éticos na utilização de materiais alheios.
Essa deveria ser a nossa premissa básica. O problema é que, hoje, só artistas independentes usam tais licenças, enquanto os da grande mídia, aqueles que tem o maior impacto no imaginário social, não usam.
Ainda nos vemos impedidos de usar essa estrutura aberta no conteúdo dos mais populares programas de TV, filmes e livros da sociedade. Em contrapartida, fãs e veículos de mídia independentes começaram a aplicar conceitos como o Creative Commons em conteúdo de grande circulação.
O mundo virtual tal como se encontra, é uma experiência de democracia e liberdade. Cidadãos podem aprender a se expressar coletivamente, individualmente, se respeitando e respeitando direitos autorais. Como aprender a viver num mundo em que há cada vez mais democracias prometendo liberdades aos cidadãos?
Acredito que deva ser aberto à participação de todos. Todos enxergam assim, a questão é como participar. Por isso negociamos a cada dia cada escolha diferente. Empresas de mídia negociam para manter o máximo possível de direitos, cidadãos negociam em relação a governos tentando criar governos mais transparentes, fãs lutam por um uso mais justo para poderem ser mais criativos ao utilizar material pré-existente.
Para assistir a integra da entrevista, clique aqui.
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Em entrevista ao Programa Milênio, da GNT, Henry Jenkins, professor e diretor do programa de Estudos de Mídia Comparada do MIT, e autor do livro Cultura da Convergência, explora as grandes mudanças que estão ocorrendo no mundo dos negócios com as multiplicações de conteúdos.
Ele fala sobre a questão da convergência, não pelo lado tecnológico, mas como um processo cultural que estimula a participação dos usuários/consumidores nas decisões que antigamente ficavam restritas aos interesses dos veículos e marcas. No que ele chama de a Cultura do Fã, onde pessoas comuns interagem, modificam e remixam mídias/conteúdos que foram originalmente construídos por produtoras de conteúdo.
Veja abaixo partes da entrevista. Enjoy!
O mundo em que vivemos
Vivemos num mundo onde histórias fluem facilmente através de diversas plataformas midiáticas, num mundo em que fazer mídia é tão importante quanto consumir mídia, num mundo onde as pessoas que conhecemos on-line são tão reais quanto nossos vizinhos.
Esse é o mundo no qual vivemos, no qual muitos jovens estão vivendo. E se ainda não vivem viverão daqui a 5 ou 10 anos. Essa é a onda que está tomando a sociedade.
A convergência
O problema da convergência tecnológica é supor que existe um aparelho mágico agrupando todas as mídias.
Talvez seja um telefone celular ou um conversor de sinal de TV, mas nunca vi tanto equipamento sendo utilizado quanto hoje. Nossas salas estão repletas de cabos e controles remotos.
A convergência como um processo cultural, refere-se ao fluxo de imagens, idéias, histórias, sons, marcas e relacionamentos através do maior número de canais midiáticos possíveis, um fluxo moldado por decisões originadas tanto em reuniões empresariais quanto em quartos de adolescentes, moldado pelo desejo de empresas de mídia de promoverem ao máximo suas marcas e mensagens e pelo desejo dos consumidores de obter a mídia que quiserem, quando, onde e como quiserem, e por meios ilegais se for impossível por meios legais.
Esses dois fatores trabalham em conjunto, garantindo uma ampla circulação de qualquer tipo de mídia que compõe esse fluxo.
Mídias de massa e as mídias sociais
Meios de comunicação de massa ainda exercem um tremendo controle sobre a sociedade. As cinco maiores empresas de mídia dos EUA controlam grande parte da mídia disponível, mas, ao mesmo tempo, vivemos num mundo onde praticamente não há filtros de informação. Algo em torno de 54% dos adolescentes americanos já produziram algum tipo de mídia.
Dois terços dos adolescentes dos EUA já veicularam mídia que produziram além do circulo de amigos e família. Portanto, há duas visões de mundo bem distintas. Uma delas se baseia no consumo constante e na absorção de mensagens criadas pelos grandes centros midiáticos, e outro é baseada na produção pulverizada de mídia, em que as idéias veiculadas no Youtube são consideradas tão essenciais à cultura quanto aquelas veiculadas em redes de televisão.
Construção de Conhecimento
Ainda estamos aprendendo a usar plenamente as ferramentas para construir conhecimento. No momento investimos em jogos. Não nas chamadas “atividades úteis”, mas em atividades de diversão. Estamos desenvolvendo habilidades a serem utilizadas mais tarde de formas mais sérias.
Assim como, numa sociedade de caçadores, as crianças aprendem brincando de arco e flecha, na sociedade da informação elas aprendem jogando com informações.
Portanto, acessar jogos, comunidades virtuais de fãs, criar blogs ou modificar e remixar mídias possibilitam um processo de aprendizado que salienta nossa atividade em rede, ajuda na formação coletiva de conhecimento e na circulação de idéias através da sociedade.
São habilidades que já estão sendo aplicadas em educação, religião, atividades militares, política e governo. Todos estão aprendendo lições importantes ao buscar entretenimento por meio do uso de computadores.Um membro da comunidade tem ao seu dispor o mesmo saber que a comunidade como um todo, imediatamente, a todo instante.
Eis a raiz de uma sociedade em rede. Por exemplo, em grupos de discussões de fãs ou em grupos de discussões políticas, uma pergunta aparece, alguém logo a responde, e todos da comunidade têm acesso à informação. Portanto, em vez de prepararmos crianças em escolas onde ainda incentivamos o aprendizado autônomo, deveríamos ensinar a elas como participar da produção coletiva do conhecimento, como compartilhar conhecimento, como depender da experiência alheia e fazer com que elas percebam o poder que têm por serem autoridades em algum assunto.
Homem Renascentista do século XV e o homem convergente do século XI
A premissa era que um único indivíduo podia dominar todos os campos do conhecimento. Michelangelo, Da Vinci ou Thomas Jefferson, os grandes intelectuais da História, conseguiram dominar todo o saber de uma sociedade.
Hoje em dia, há uma explosão de informações. Não é mais possível saber de tudo. Estamos vivendo em tempos de inteligência coletiva, num mundo onde ninguém sabe tudo. Todos sabem algumas coisas. Um membro da comunidade tem ao seu dispor o mesmo saber que a comunidade como um todo, imediatamente, a todo instante.
Eis a raiz de uma sociedade em rede. Por exemplo, em grupos de discussões de fãs ou em grupos de discussões políticas, uma pergunta aparece, alguém logo a responde, e todos da comunidade têm acesso à informação. Portanto, em vez de prepararmos crianças em escolas onde ainda incentivamos o aprendizado autônomo, deveríamos ensinar a elas como participar da produção coletiva do conhecimento, como compartilhar conhecimento, como depender da experiência alheia e fazer com que elas percebam o poder que têm por serem autoridades em algum assunto.
Excesso de Informação
Sofremos na medida em que não sabemos lidar com ela. Atualmente, muitos se sentem inaptos a lidar com o excesso de informações pela incapacidade de absorvê-las todas a tempo, mas isso ocorre por estarmos tentando aplicar uma lógica do homem renascentista a um modelo de informações desenvolvido para ser coletivo e colaborativo.
Em vez de tentar absorver todo o conhecimento para si, deveríamos aprender a confiar na comunidade à nossa volta, confiar uns nos outros para processar as informações. Em vez de cidadãos bem informados, devemos ser cidadãos monitorados.
Alguém que vasculha o horizonte e filtra informações necessárias, agindo de forma pontual e objetiva, em contraste com a necessidade do entendimento profundo sobre tudo que nos rodeia. Devemos aprender a ser seletivos e colaborativos
Deveríamos aprender a escolher o foco da nossa atenção. Podemos tentar criar um modelo que possibilite uma espécie de moderação coletiva, seja através de um curador ou de um autor de blogs que traga informações essenciais à comunidade.
Talvez um serviço agregador, como o Digg, que identifica a preferência dos usuários e filtra as informações; ou processos deliberados como grupos de discussão. Há várias formas de processar informação. Precisamos aprender como participar plenamente ou seremos soterrados por informações sem sentido.
A Cultura do Fã
A palavra “fã” sempre foi tratada com desconfiança e nervosismo através dos tempos. E uma palavra que, até recentemente, era sempre aplicada ao outro, nunca a si mesmo.
Na verdade, ela remete à palavra “fane”, palavra em latim que se referia ao templo de Vesta. Os “fãs” originais eram virgens vestais que praticavam venerações orgiásticas.
Posteriormente, isso foi traduzido como “fanatismo”.
No século 20, o fã era a pessoa que consumia, mas não produzia. Essa foi a concepção. Antes, fãs assistiam a esportes sem jogar, iam ao teatro sem atuar.
Mas, hoje, os fãs estão produzindo ativamente. Eles estão contando histórias e divulgando-as on-line, no Japão, fazem seus figurinos e encenam peças na rua; estão editando podcasts; eles se envolvem em discussões críticas na internet; eles estão reinventando os jogos de computador. É o segmento mais criativo da sociedade. Eles já aprenderam a viver dentro dessa sociedade da informação em rede. Eles são o coração da cultura da convergência.
Remix
Em princípio, precisamos reconhecer que, na história humana, a cultura advém da cultura. Às vezes, seguimos uma lógica “alquímica” de que a cultura provém da cabeça do artista, que ela é criada do nada.
Mas, na verdade, Homero remixou as histórias da mitologia grega, a Capela Sistina é uma colagem de temas bíblicos e as grandes obras literárias conscientemente “pegaram emprestados” os recursos de que precisavam.
Precisamos partir da premissa de que, em todo processo criativo, o artista constrói sobre a cultura existente. Mas para isso precisamos respeitar a cultura. Precisamos conhecer e identificar as fontes do material que usou. Para mim, a diferença entre remixagem e plágio é que o plágio oculta suas fontes enquanto a remixagem as celebra e as expõe.
A remixagem procura construir um diálogo com o passado em vez de reivindicar para si a autoria das obras. É um processo de colaboração com a cultura que nos cerca. Um dos problemas de hoje e que as leis de direitos autorais inibem a cultura, restringindo o uso das obras aos seus proprietários.
Nessa transição pela qual passamos, o uso justo precisa ser defendido. Cada vez mais pessoas se tornando artistas, elas exigem a velha idéia de direito autoral ao utilizar materiais da sua cultura, causando uma disputa sobre quais são os termos que distinguem direito autoral do uso justo.
Jovens e empresas estão confusos sobre os limites dos dois conceitos numa épocaem que cada vez mais pessoas produzem mídia.
Creative Commons
É um movimento forte, e espero que prospere. O Creative Commons permite que os artistas determinem quais direitos querem manter e quais querem liberar. É baseado num modelo de economia moral em que concordamos nos guiar por princípios éticos na utilização de materiais alheios.
Essa deveria ser a nossa premissa básica. O problema é que, hoje, só artistas independentes usam tais licenças, enquanto os da grande mídia, aqueles que tem o maior impacto no imaginário social, não usam.
Ainda nos vemos impedidos de usar essa estrutura aberta no conteúdo dos mais populares programas de TV, filmes e livros da sociedade. Em contrapartida, fãs e veículos de mídia independentes começaram a aplicar conceitos como o Creative Commons em conteúdo de grande circulação.
O mundo virtual tal como se encontra, é uma experiência de democracia e liberdade. Cidadãos podem aprender a se expressar coletivamente, individualmente, se respeitando e respeitando direitos autorais. Como aprender a viver num mundo em que há cada vez mais democracias prometendo liberdades aos cidadãos?
Acredito que deva ser aberto à participação de todos. Todos enxergam assim, a questão é como participar. Por isso negociamos a cada dia cada escolha diferente. Empresas de mídia negociam para manter o máximo possível de direitos, cidadãos negociam em relação a governos tentando criar governos mais transparentes, fãs lutam por um uso mais justo para poderem ser mais criativos ao utilizar material pré-existente.
Para assistir a integra da entrevista, clique aqui.

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