domingo, 6 de dezembro de 2009

O esvaziar da ampulheta...




Dedicado a Valquíria Lemos



Joca Faria



Nas profundezas das florestas a alma está. Nossos desejos mais secretos se escondem. A ancestralidade esta ai. Estamos a milênios subindo e descendo nas cavernas mais escondidas. Hoje tenho medo de escrever o que penso. Mas mesmo assim escrevo. Temer é parte do ser – quase humano. A luz do dia está indo embora eu num silencio após partidas de futebol que nunca assisto. Não me perco no mundano. Nada contra partidas de futebol. Mas elas não me ajudam a me desvendar prefiro uma pesquisa na rede sem volta.

Agora que me dei conta que tudo que escrevo pode ser usado contra ou a favor. Pois com o tempo sai de um contexto e se forma outro. Hoje sou moralista amanhã não. E outro dia puritano. E em outro texto devasso sendo um sou uma multidão. Qual de meus seres imaginários achas que lé. Não consigo escrever com heterônimos deixo os para Fernando Pessoa que não criou um feminino. Minha escrita tenta passar meu lado feminino.

Pois todos nós temos nosso lado feminino ou masculino não confundir com homossexualismo que é outra praia humana.

Todos somos livres perante a lei temos livre arbítrio, mas a liberdade tem suas conseqüências todo ato gera ações infinitas.

Não temos a real lucidez nunca sabemos de onde viemos. Quando dormimos não controlamos nossos impulsos.

Sei somente que respiro e pronto. Não tenho o controle de nada do tempo e do espaço. A Terra Gira num espaço navega e não sei para que buraco negro ela vai?

Mesmo sendo ser pensante somos movidos por desejos. Somos frutos do ambiente e de nós mesmo e daí?

Marionetes das circunstancias e da vida e nunca somos senhores de nosso destino.

Não sabemos quanto nos resta de vida sabemos que a ampulheta se esvai como a noite que chega neste domingo de dezembro.

E agora José?

Estou aqui solitário diante deste teclado. O ano passa. As pessoas passam e nos passaremos?

E quem me lé também passará?

Mas o que fica?

Tudo fica e tudo esvai não devemos estar aqui á toa. Ou estamos aqui á toa?

Não sei por mais que eu leia? Por mais que converso? Por mais que escrevo tudo se esvai?

Não sou o tempo. Não sou a ampulheta e não me faço Deus ou Deusa.

Sou quase humano. Longe de ser super- homem.

Sou humano. Eu durmo e acordo. Trabalho, pois eu crio e pronto.

Não me faço vitima de sistema nenhum nem algoz.

E já não quero escrever sobre política, pois é vão. Prefiro falar do fundo de minha floresta.

Ou do alto de meu abismo. O Cotidiano é para ser decifrado e não retratado já não sou

Cronista agora retomo o poeta. O filosofo.

Pois sou ... Quem é e viva San Germam.

Não sou ainda não fui e serei?

João Carlos Faria

Editora Pasárgada

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