terça-feira, 16 de novembro de 2010

Amigos(as) e companheiros(as),




Voltando aos temas mais amplos, de interesse geral da sociedade, depois de tanto tempo falando exclusivamente da minha filha Sulamita, senti-me na obrigação de contribuir, ainda que pelo avesso do avesso, com o debate proposto pelo querido amigo e companheiro Acioli, do INPE, a respeito do processo de privatização do Parque Vicentina Aranha, em São José dos Campos; assunto que a meu ver reflete, em grande parte, o estágio em que estão as discussões e o embate político também no estado de São Paulo.



Como a proposta dele é a ampliação, livre e transparente, do debate visando a mobilização que propõe, dou aqui a minha contribuição, COLOCANDO, NA ÍNTEGRA A SEQUÊNCIA DA CONVERSA MANTIDA POR AQUI ENTRE NÓS, sugerindo que entrem no debate e/ou o repassem, da forma que cada um(a) achar melhor!



Obrigado e um abraço,



moacyr pinto





De: Acioli para Moacyr

Moacyr



Sei do momento critico pelo qual passas, mas vc foi a primeira pessoa que pensei quando tive a idéia. E perdoe-me o egoísmo e a falta de sensibilidade, mas não poderia te deixar fora. E conto com tua rede de amigos que comungam da idéia de proteger nossa SJC de garras inescrupulosas.



Um abraço e mais uma vez hipoteco minha solidariedade a tua busca.



Um grande e fraternal abraço



Acioli







SOBRE A PRIVATIZAÇÃO DO VICENTINA ARANHA



Amigos



Foi publicada matéria na edição de sábado do jornal O Vale sobre a intenção da Prefeitura Municipal de Sāo José dos Campos de terceirizar o Parque Vicentina Aranha, inclusive já tendo uma entidade, presidida pelo Luiz Paulo Costa (assessor do prefeito), candidata a assumir a gestão do Parque.



Houve por parte dos leitores d' O Vale uma reação de indignação ao propósito da terceirizaçāo de um bem que custou aos cofres públicos uma considerável soma, que me levam a acreditar que esse pode se tornar um movimento que galvanize as forças vivas de SJC rumo a uma mudança que acabe nos rumos que nossa cidade enveredou nos últimos anos.



As ações recentes da atual gestāo publica demonstram, de maneira clara e inequívoca, que o compromisso maior não é com a comunidade, o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida que desejamos para nós, nossos filhos e nossos netos.



Baseado nestas premissas tive uma idéia que desejo, mais do que compartilhar com vocês, apelar para que criemos um movimento da sociedade civil para defender que a gestão do Parque Vicentina Aranha seja pública. A partir de um slogan (provisório): TIREM AS MĀOS DO VICENTINA ARANHA! vamos organizar a resistência à do Parque.



Assim sendo, eis alguns princípios



básicos que submeto a você como um ideário a ser discutido e ampliado:



1) o movimento deverá ser apartidário, para não correr o risco de ser tomado como bandeira de interesses outros e



fragilizando seus propósitos.



2) devemos utilizar todas as técnicas de comunicação mais modernas, como redes sociais, blog, twiter, msn, facebook e tudo que a internet disponibiliza para atingir o máximo de penetração na sociedade.



3) o movimento deve ser transparente em todas os seus passos, publicizando as suas ações e submetendo seus líderes ao poder do coletivo.



4) o apoio financeiro ao movimento será sempre identificado, podendo as contribuições serem de pessoa jurídica ou física, devidamente contabilizadas e publicadas numa pagina da web com atualização imediata. Também as movimentações financeiras serāo sempre publicadas na web.



5) criar grupos de apoio e suporte envolvendo artistas gráficos, publicitários, tecnologia de informação e imprensa, possibilitando qualidade, agilidade e eficiência na disseminação do movimento junto à sociedade.



6) por último, mas de significativa relevância e simbolismo, nenhuma pessoa ligada ao movimento deverá ser remunerada.



Aguardo manifestações



Acioli de Olivo



12 9199-7157



61-8140-7475







De: Acioli para grupo de amigos



Amigos







Parque Dona Lindu



Desde sábado estou em Recife hospedado num hotel na Praia da Boa Viagem próximo ao Parque Dona Lindu, construído e administrado pela Prefeitura Municipal de Recife. Projetado pelo Niemeyer, o Parque recebeu investimentos de R$ 28,7 milhões numa área de 27.166,68 m², à beira-mar de Boa Viagem, com 60% destinados à área verde. O projeto de Niemeyer inclui ciclovia, pistas para cooper e skate, quadra poliesportiva, playground, áreas para descanso e ginástica, teatro, pavilhão para exposições, restaurante, sanitários e fraldários em módulos externos (de design arrojadado...até em banheiro Niemeyer ousa), central técnica.



O Parque Dona Lindu ocupou um terreno cedido pelo governo federal e era pretendido pela especulaçāo imobiliária para a construção de mais espigões na orla de Boa Viagem.



Quem conhece a Boa Viagem sabe do que vou falar: é um dos locais mais valorizados do mundo, com hotéis extremados, edifícios residenciais de alto luxo e restaurantes sofisticados. Imagine a grita quando a Prefeitura resolveu criar no local um parque, mas não aos moldes de parque para a elite fazer sua caminhada diária, mas um centro de entretenimento.



Em todos os dias deste feriado prolongado observei hordas de "pobres", chegando de ônibus ou nos seus chavetes 75 e invadindo o sagrado espaço da burguesia. Imagino a revolta destes, revolta que foi traduzida na intensa campanha feita pelos Jarbas, Jungman e Roberto Freire, denunciando a criação de um monstro de concreto numa área que deveria ser melhor utilizada...



Imagino que Niemeyer deve ter arquitetado a vingança contra seu ex-companheiro Roberto Freire que vendeu o PCB e seus ideais por 30 dinheiros, projetando um parque onde os pobres correm na grama, ensinam seus filhos a andar de bicicleta, se exercitam nos inúmeros equipamentos e quadras esportivas, provavelmente façam picnic com galinha e farofa e possam também se aglomerar para participar de manifestações políticas



e culturais...O velhinho deve estar sorrindo ate hoje...



Eu gosto muito do humor ácido do Quanta Ladeira, bloco anarquista-carnavalesco que todo ano faz paródias de musicas conhecidas e recebe convidados famosos para interpreta-las. Em 2009 o Quanta Ladeira fez a parodia irreverente a partir da clássica La belle de jour do Alceu Valença, sacaneando o Niemeyer, a mãe do Lula e o Parque como um todo ( a música pode ser baixada no site sombarato). Divertida e irreverente a letra nos faz dar boas risadas, mas algo que ela não capta, provavelmente pela falta sensibilidade dos autores, herdeiros mais do Alceu Valença (que se tornou ícone da direita cultural pernambucana) do que do Chico Science, é que pela primeira vez na história da Recife rica, os pobres invadiram a sua praia. E imagino que gostaram e pretendem ficar....



Um abraço



Acioli







De: Moacyr para Acioli



Querido Acioli,



Fique sabendo que você está incluído entre as pessoas - felizmente não são tão poucas - que não me devem explicações e muito menos pedidos prévios de desculpas a respeito de nada; temos uma história de convivência, ainda que muitas vezes bem à distância, que nos permite a qualquer hora formular qualquer pedido ou iniciar um debate a respeito de qualquer assunto sem que haja da minha parte, e tenho certeza que também da sua, qualquer dúvida ou insegurança em relação à compreensão e ao respeito das diferenças.







Você me propõe o engajamento no combate a mais este absurdo que atinge São José dos Campos, que é a privatização do Parque Vicentina Aranha, conforme foi divulgado na semana passada pelo "Diário Oficial" dos donos do município, que é o jornal Ovale. Também li a matéria, eles não estavam informando uma intenção inicial da Prefeitura ou uma eventual abertura de debate a respeito da questão e sim comunicando uma decisão tomada, inclusive dando os detalhes das "manobras formais e legais" que já estão sendo feitas, para que as coisas aconteçam da maneira que eles pretendem.







Você me escreve preocupado, por estar me procurando no momento atual, em que estou envolvido com a busca da minha filha mais velha, que está desaparecida desde o último dia 16 de setembro. Sensível, você imagina que eu possa não estar com cabeça e muito menos interessado em assuntos como esse do "uso" ou da apropriação do Vicentina Aranha para garantir os interesses do agrupamento político que vem dominando a nossa cidade a mais de 10 anos; mas eu lhe respondo, de pronto, que o meu desinteresse e a minha inapetência para entrar nesse debate tem, no caso, outras motivações.







Você fala em galvanizar "forças vivas" aqui em São José dos Campos para defender o Vicentina Aranha e eu pergunto, citando o mímico e escritor brasileiro Ricardo Bandeira de renome mundial, que andou aqui por São josé nos velhos tempos em que a Secretária Claude Mary e o Luiz Paulo Costa, já quase "dono" do Vicentina se diziam comunistas, como ele: "onde estão senhor?" - "Quem menino?" - "As forças vivas de São José dos Campos; senhor?!".







É isso, amigo Acioli, não tenho visto e nem percebido a presença de "forças vivas" com capacidade e interesse para, nesse momento, enfrentar uma parada como essa. Ainda mais num tema dessa natureza, que geralmente é mais caro à chamada "classe média branca e universitária", que aqui nessa cidade "capital da tecnologia" e, emendo eu, da Igreja reacionária, sem arte e sem filosofia, tem nos privatizadores e nos loteadores dos bens públicos os seus mais legítimos e reconhecidos representantes. Essa é uma cidade onde nem nos meios artísticos e culturais a gente encontra muita massa crítica; assim penso eu!







Você fala em fazermos um movimento apartidário, transparente, etc, etc. Beleza. Fala até em deixarmos claro de onde estará vindo o dinheiro para cobrir as eventuais despesas do "movimento". Sabe o que isso irá nos garantir? Nada! O que os "cidadãos", a "elite" branca e universitária de São José dos Campos gosta, é de manipulação, mentira travestida de verdade; como foi o caso da Marina Silva, cuja campanha eleitoral foi financiada em quase 50% por um capitalista que dias depois teve a sua empresa denunciada num esquema internacional de biopirataria, etc, etc; confira a votação da Marina em nossa cidade, sem organização e sem partido. O que vale é a manipulação direta, travestida de neutralidade, que poderá ser trazida com força contra quem ousar enfrentar os donos do poder na cidade, caso o movimento que você propõe - e que eu acho que deveria mesmo ser feito, se tivesse alguma viabilidade - começar a lograr algum sucesso.







Você pode estar estranhando a minha prostração, eu, que sempre me identifiquei como socialista e revolucionário, não no sentido de "pegar em armas" a qualquer tempo ou em defender posições e posturas radicais, mesmo que inócuas, como pregam algumas correntes de esquerda, mas no sentido de acreditar que a mudança política e social é sempre possível e precisa ser construída, ainda que lenta e gradualmente. No caso, acho que, no momento, para travarmos uma batalha igual a essa, visando barrar, no curto prazo, a entrega do Vicentina Aranha oficial e legalmente para o grupo de pessoas que já vem fazendo o que quer com ele - o Parque, com o muro, as construções e a vegetação que justificaram o tombamento já quase nem existe mais - não temos armas e nem soldados. O que temos é uma porção de consumidores "brancos", ávidos pelas "novidades" que a OS do prefeito Cury e do Luiz Paulo Costa irão lhes propiciar com exclusividade; tudo financiado pelo dinheiro público que, agora o Governo do Estado está prometendo liberar. Nada parecido com o Parque Dona Lindu, que você conheceu no Recife, no Pernambuco, que é justamente o centro cultural do Nordeste desse nosso país tão diferenciado.







É isso que estou pensando no momento, Acioli. Demorei para te responder exatamente por causa dessas minhas dificuldades. De qualquer forma, se você achar uma boa, na sua linha, divulgarmos as minhas posições com transparência, no debate, eu me comprometo a distribuir para as pessoas com as quais me correspondo.







Fica à vontade para deixar para lá ou para conversarmos um pouco mais, em "particular"!



Um abraço,



moacyr pinto







De: Acioli para Moacyr



Moacyr











Fiquei comovido com as palavras carinhosas que me distinguisse. Coisa de irmão, mais que de sangue, de convergência.











Quanto a distribuíres minhas mensagens com tuas observações, fique à vontade, não pretendo liderar nem orientar o movimento e sim provocar esta sociedade letárgica.











Um abraço



Acioli